Capítulo Primeiro
A Lanterna que Não Apagava
Para Daniela, com coragem.
No alto da colina onde o vento chegava primeiro, vivia uma menina chamada Helena. Helena tinha sete anos e um segredo: ela guardava uma lanterna que não apagava. Nem com chuva. Nem com vento. Nem com medo do escuro.
A lanterna tinha sido da avó dela. A avó dizia que toda família tem uma luz que passa de mão em mão, e que essa luz só apaga quando alguém esquece de carregar. Helena carregava todo dia. De manhã, dentro da mochila. À noite, no criado-mudo, virada pro teto.
Naquela noite o vento bateu forte na janela. Tão forte que a casa inteira pareceu respirar fundo. Helena se sentou na cama e ouviu, lá embaixo da colina, um choro pequeno. Um choro de bicho ou de criança, ela não soube dizer.
Ela olhou pra lanterna. A lanterna olhou de volta, do jeito que as coisas importantes olham. Helena pensou em chamar o pai. Pensou em fechar os olhos. Pensou em fingir que o vento tinha enganado o ouvido dela. E então ela pegou a lanterna, calçou as botas e desceu o primeiro degrau da escada.
O segundo degrau rangeu.
⁘ continua nas próximas cenas ⁘
